A Anthropic diz que seu modelo de inteligência artificial Claude ajudou a identificar um novo sistema enzimático com características que lembram mecanismos do CRISPR. O achado é o primeiro resultado divulgado pelos esforços de pesquisa biológica da empresa.

Para chegar ao resultado, o Claude analisou grandes bancos de dados de DNA. O sistema encontrado foi construído em torno de uma transcriptase reversa (RT), enzima capaz de copiar RNA para DNA, e recebeu o nome de ART.

Cadeia do DNA sendo selecionada e editada por um pesquisador
O ART contém sequências repetidas de DNA semelhantes a padrões encontrados em sistemas CRISPR. – Imagem: ART STOCK CREATIVE/Shutterstock

O que foi encontrado

ART significa “transcriptases reversas associadas a arranjos”. O sistema contém sequências repetidas de DNA semelhantes a padrões encontrados no CRISPR e foi identificado em dados de bacteriófagos, vírus que infectam e se replicam dentro de bactérias.

A transcriptase reversa que está na base do sistema não é inédita. Estudos anteriores já haviam identificado essa enzima. O que a Anthropic atribui ao Claude é o reconhecimento de um conjunto mais amplo de características, incluindo uma matriz de sequências de DNA não codificantes e uma proteína adicional cuja função ainda não é conhecida.

A semelhança com o CRISPR está relacionada às características do sistema que podem permitir operações sobre o DNA, como cortar, copiar e colar. O tamanho e o grau de novidade do achado, no entanto, ainda precisam ser avaliados pela comunidade científica.

Claude fez a busca em 21 horas

De acordo com a Anthropic, o trabalho foi feito “principalmente, embora não inteiramente, pelo Claude”. O modelo levou 21 horas para realizar a pesquisa, com cerca de 950 agentes e o processamento de 210 milhões de tokens.

O anúncio veio poucos dias depois de a existência do laboratório biológico da empresa ser revelada. Localizado na região da Baía de São Francisco, nos Estados Unidos, o espaço realiza experimentos físicos de biologia molecular.

A IA participa da pesquisa, mas não opera sozinha no laboratório. A Anthropic afirma que os experimentos são realizados por cientistas humanos e ficam restritos aos níveis BSL-1 e BSL-2 de biossegurança. A empresa também informa que não trabalha com patógenos capazes de infectar seres humanos.

O que a Anthropic fez:

  • O Claude analisou grandes bancos de dados de DNA;
  • O sistema recebeu o nome de ART;
  • A pesquisa envolveu cerca de 950 agentes;
  • Foram processados 210 milhões de tokens;
  • Os experimentos físicos continuam sob responsabilidade de cientistas humanos.
Pesquisador segura tubo de ensaio em laboratório, com equipamentos científicos ao fundo.
Hoje, os experimentos físicos continuam sob responsabilidade de cientistas humanos, segundo a Anthropic. – Imagem: Parilov / Shutterstock

Claude ainda não controla o laboratório

Dario Amodei, CEO da Anthropic, admite que o Claude poderia assumir uma função mais direta em experimentos futuramente.

Leia mais:

“Eventualmente, pode até ser possível que o próprio Claude realize os experimentos com segurança, controlando autonomamente equipamentos de laboratório, com as salvaguardas adequadas, mas não estamos fazendo isso hoje”, afirmou.

Por enquanto, o ART é o primeiro resultado divulgado pelos esforços de pesquisa biológica da Anthropic. A comunidade científica ainda deverá avaliar a relevância e o grau de novidade do sistema identificado pelo Claude.

O post Anthropic revela que IA ajudou a identificar sistema genético inédito associado ao DNA apareceu primeiro em Olhar Digital.

By admin

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *