A Comissão Europeia apresentou nesta quinta-feira os detalhes de uma proposta que proíbe redes sociais para menores de 13 anos e coloca contas de adolescentes de 13 a 15 anos sob controle dos pais. O texto também estabelece novas obrigações para plataformas digitais e serviços de inteligência artificial.

Entre as medidas estão a proibição de recursos considerados viciantes, a desativação padrão de companheiros de IA e chatbots para crianças e multas de até 6% da receita anual global das empresas que descumprirem as regras.

Ícones de aplicativos de redes sociais da Meta num iPhone
A proposta europeia prevê que plataformas verifiquem a idade dos usuários na abertura de novas contas. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Proposta ganha regras mais específicas

O chamado EU Kids Act precisa ser negociado com os países da União Europeia e o Parlamento Europeu antes de virar lei. A proposta estabelece limites para redes sociais, serviços de compartilhamento de vídeos, jogos online e ferramentas de IA voltadas para menores de 18 anos.

As plataformas terão de adaptar seus serviços para oferecer um ambiente mais seguro. Entre as medidas previstas estão:

  • Proibição da rolagem infinita e de mecanismos de recompensa;
  • Restrição de recomendações baseadas em perfis;
  • Bloqueio de contatos não solicitados por desconhecidos;
  • Desativação, por padrão, de companheiros de IA e chatbots para crianças;
  • Ferramentas de controle parental para bloquear e silenciar usuários.

A Comissão Europeia também quer obrigar as empresas a verificar a idade dos usuários no momento da abertura das contas.

IA entra em uma nova frente de controle

A proposta amplia para a inteligência artificial as regras de proteção infantil. Companheiros virtuais e chatbots destinados a crianças deverão permanecer desligados por padrão.

A medida acrescenta novas exigências ao debate europeu sobre o uso de IA por menores. O tema também foi abordado pelo Olhar Digital na reportagem publicada na quarta-feira sobre a proposta de restrição das redes sociais para menores de 15 anos.

Multas podem chegar a 6% da receita

As empresas que não cumprirem as regras poderão receber multas de até 6% de sua receita anual global. Elas também terão de pagar uma taxa para financiar a supervisão dos reguladores.

A proposta já provocou reação da indústria de tecnologia. A CCIA Europe, entidade que representa empresas como Google e Meta, alertou para os riscos de privacidade envolvidos na coleta de informações sobre idade, identidade e vínculo entre crianças e seus pais ou responsáveis.

Coletar informações de idade, credenciais de identidade e dados que vinculem crianças a pais ou responsáveis nessa escala criaria, sem dúvida, um alvo atraente para cibercriminosos.

Daniel Friedlaender, chefe da CCIA Europe, em nota.

Pessoa usando inovação de software de IA generativa inteligência artificial
Companheiros de IA e chatbots destinados a crianças deverão permanecer desligados por padrão na proposta europeia. – Imagem: Supapich Methaset/Shutterstock

Comissão e indústria divergem

A CCIA Europe também afirmou que o EU Kids Act pode criar sobreposição e duplicação de exigências com outras leis da União Europeia, o que, segundo a entidade, poderia enfraquecer a proteção de crianças e consumidores.

Leia mais:

Ao apresentar a proposta, Ursula von der Leyen afirmou que as tecnologias atuais não foram desenvolvidas considerando o bem-estar infantil.

“Hoje, nossas crianças estão interagindo com algumas das tecnologias mais sofisticadas já criadas, e elas não foram desenvolvidas tendo em mente o bem-estar e o desenvolvimento das crianças.”

O texto ainda será negociado nos próximos meses. O processo definirá o formato final das regras e quais exigências serão aplicadas às plataformas digitais.

O post Europa detalha regras para redes sociais e IA de crianças e prevê multa de até 6% da receita apareceu primeiro em Olhar Digital.

By admin

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *