A OpenAI rejeitou as acusações da Apple de que ex-funcionários teriam levado segredos comerciais ao deixar a fabricante. Em documento apresentado à Justiça dos EUA, a empresa diz que a Apple não conseguiu provar que informações confidenciais foram roubadas.

O caso envolve a contratação de profissionais para a divisão de hardware da OpenAI e marca uma nova etapa no desgaste entre as duas empresas, que chegaram a manter uma parceria para ampliar o uso do ChatGPT nos produtos da Apple.

Logo da OpenAI na fachada de um prédio
Cerca de 400 funcionários da Apple foram contratados pela OpenAI para sua iniciativa de hardware, segundo documentos do processo. – Imagem: ioda/Shutterstock

Apple acusa ex-funcionários

A Apple processou a OpenAI e os ex-funcionários Tang Tan e Chang Liu em julho. A fabricante afirma que os dois se apropriaram de informações relacionadas a design de hardware, fabricação e cadeia de suprimentos.

A OpenAI vê a ação de outra forma. Para a empresa, o processo tenta frear a expansão de uma possível concorrente e desencorajar funcionários da Apple a mudar de emprego. Cerca de 400 profissionais da fabricante foram contratados para a iniciativa de hardware da OpenAI, conforme documentos do processo.

“Esta disputa é uma confusão criada pela própria Apple, e ela está tentando culpar todo mundo”, afirmou a OpenAI.

A empresa também argumenta que a legislação da Califórnia permite que funcionários deixem uma companhia para trabalhar em outra, mesmo quando as duas competem entre si.

Arquivos viram ponto central

A Apple sustenta que Tan e Liu acessaram documentos internos depois de deixar a empresa. Para a fabricante, o acesso faria parte de uma estratégia da OpenAI para obter informações confidenciais.

A OpenAI rebateu a acusação citando os próprios procedimentos da Apple para desligamento de funcionários. Segundo a empresa, eles dificultariam a separação entre arquivos pessoais e corporativos.

Entre os pontos levantados estão:

  • Funcionários podem usar contas pessoais do iCloud para acessar documentos de trabalho;
  • A retirada imediata dos funcionários das instalações reduziria o tempo para devolver dispositivos;
  • Arquivos internos poderiam não ser transferidos de volta à empresa antes da saída;
  • A passagem de responsabilidades também poderia ser prejudicada.

Liu afirmou que acessou documentos depois de sair para ajudar antigos colegas a localizar arquivos e responder dúvidas sobre seu trabalho anterior. Ele disse que funcionários da Apple continuaram procurando sua ajuda.

Logo da Apple
A Apple afirma que dois ex-funcionários acessaram arquivos internos depois da saída e relaciona o caso à expansão de hardware da OpenAI. – Imagem: tang90246/iStock

Ex-funcionários contestam versão

Tan, que passou 24 anos na Apple, afirmou ter devolvido protótipos antes de deixar a companhia. Disse ainda que só manteve materiais não confidenciais, incluindo uma lista de verificação usada no desligamento de funcionários.

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“Eles podem deixar uma empresa como a Apple, que teve dificuldades para adotar a IA, e ir para uma startup empolgante que desenvolve produtos inovadores”, escreveu a OpenAI.

A relação entre as duas companhias mudou rapidamente. Há cerca de dois anos, Apple e OpenAI haviam firmado uma parceria para ampliar o alcance do ChatGPT e dar à fabricante uma posição mais forte no mercado de inteligência artificial.

Agora, com a OpenAI avançando em hardware e disputando profissionais da Apple, a parceria deu lugar a uma batalha judicial que coloca segredos comerciais, contratações e procedimentos internos no centro da discussão.

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