A inteligência artificial começa a gerar resultados para as gigantes da tecnologia, mas o ritmo dos investimentos também aumenta a pressão sobre o caixa dessas empresas.

Segundo a Reuters, o mercado acompanhará os próximos balanços em busca de sinais de que o crescimento das receitas conseguirá acompanhar os gastos com infraestrutura.

Ilustração de chip de inteligência artificial (IA) em Wall Street para representar investimentos em tecnologia
A inteligência artificial já traz receitas, mas também exige aportes cada vez maiores das gigantes. – Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digita

Mercado observa se a conta vai fechar

Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta e Oracle — as chamadas hyperscalers — seguem ampliando seus investimentos em inteligência artificial. A expectativa, porém, é que o avanço dos gastos supere a geração de fluxo de caixa livre até 2027.

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Levantamento da Reuters, com base em estimativas da LSEG, aponta que essas empresas deverão ampliar o fluxo de caixa operacional anual em US$ 340 bilhões (aproximadamente R$ 1,72 trilhão) entre 2025 e 2027. No mesmo período, os investimentos devem crescer cerca de US$ 534 bilhões (aproximadamente R$ 2,71 trilhões), o equivalente a US$ 1,57 aplicado para cada US$ 1 adicional gerado em caixa.

Receita cresce, mas os gastos também

Os primeiros sinais de retorno já aparecem. A Microsoft informou que sua divisão de IA alcançou um ritmo anual de receita superior a US$ 37 bilhões (cerca de R$ 187,6 bilhões). Na Amazon, a AWS registrou crescimento de 28% no primeiro trimestre.

Segundo Shay Boloor, estrategista-chefe de mercado da Futurum Equities, “os investidores estão subestimando o quanto a IA está mudando fundamentalmente o modelo de negócios das Big Tech”.

Ele afirma que software, publicidade e computação em nuvem passaram a depender cada vez mais de grandes investimentos em infraestrutura física.

Esse movimento inclui:

  • Construção de novos data centers;
  • Compra de servidores e equipamentos de rede;
  • Expansão da infraestrutura em nuvem;
  • Maior demanda por aplicações de inteligência artificial.
Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
Data centers e servidores viraram peças-chave na nova fase de expansão da inteligência artificial. – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

Oracle concentra as maiores preocupações

A Microsoft registrou US$ 35,8 bilhões (cerca de R$ 181,5 bilhões) em fluxo de caixa operacional no segundo trimestre fiscal, enquanto seus investimentos chegaram a US$ 37,5 bilhões (aproximadamente R$ 190,1 bilhões).

O crescimento dos lucros pode não ser suficiente para justificar os investimentos se os gastos de capital estiverem consumindo o caixa. As empresas existem para ganhar dinheiro, não para gastá-lo.

David Russell, chefe global de estratégia de mercado da TradeStation, à Reuters.

Entre as cinco empresas, a Oracle desperta maior preocupação. As ações acumulam queda de 36% no ano, o fluxo de caixa livre ficou negativo e a companhia pretende captar entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões (cerca de R$ 228,2 bilhões a R$ 253,5 bilhões) para ampliar sua infraestrutura em nuvem. Os próximos balanços mostrarão se o avanço da IA conseguirá acompanhar esse ritmo de investimentos.

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