A Samsung registrou um crescimento expressivo em seus resultados financeiros no primeiro trimestre, impulsionada pelo avanço do mercado de inteligência artificial (IA) e pela forte demanda por chips de memória.

A empresa sul-coreana informou que seu lucro operacional aumentou mais de oito vezes em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo novo recorde e superando as estimativas de analistas. O resultado chegou a 57,2 trilhões de won sul-coreanos (R$ 193,1 bilhões), acima da projeção de 55,3 trilhões de won (R$ 186,7 bilhões).

A receita também ficou acima do esperado, totalizando 133,9 trilhões de won (R$ 452 bilhões), ante estimativa de 132,7 trilhões de won (R$ 448 bilhões). Na comparação anual, o faturamento cresceu cerca de 70%.

O lucro trimestral avançou mais de 750% em relação ao ano anterior e superou inclusive o lucro total registrado pela companhia em 2025, que foi de 43,6 trilhões de won (R$ 147,1 bilhões).

Os resultados dão continuidade ao desempenho positivo observado no último trimestre do ano passado, quando a empresa já havia superado o recorde anterior de lucro operacional, de 17,6 trilhões de won (R$ 59,4 bilhões), registrado no terceiro trimestre de 2018.

Negócio de chips foi forte para a Samsung

  • O principal motor desse desempenho foi o negócio de chips da companhia;
  • Além da atuação em smartphones e serviços de fundição de semicondutores, a Samsung é uma das maiores produtoras globais de chips de memória;
  • A divisão de semicondutores, conhecida como Device Solutions (DS), registrou lucro operacional de 53,7 trilhões de won (R$ 181,2 bilhões) no primeiro trimestre, ante cerca de um trilhão de won (R$ 3,3 bilhões) no mesmo período do ano anterior. Esse resultado respondeu por mais de 90% dos ganhos totais da empresa no trimestre;
  • As vendas totais de chips atingiram 81,7 trilhões de won (R$ 275,8 bilhões), um aumento de 225% em relação ao ano anterior;
  • O desempenho foi impulsionado pelo crescimento global dos data centers voltados à IA, que têm elevado a demanda por chips de memória e, ao mesmo tempo, limitado a oferta, pressionando os preços;
  • Esses componentes são utilizados em data centers e também em dispositivos, como smartphones, computadores pessoais e consoles de videogame.

Em relatório de resultados, a empresa afirmou que espera que a demanda por memória para servidores permaneça forte ao longo do segundo semestre, à medida que grandes empresas de tecnologia continuam ampliando o uso de IA e a demanda por IA agêntica se intensifica.

A Samsung destacou ainda que seu negócio de memória “superou o recorde de vendas trimestrais ao atender à demanda por IA de alto valor agregado, apesar da limitação na oferta, com o aumento dos preços de memória em toda a indústria também contribuindo”.

As ações da empresa subiram cerca de 0,9% na Coreia do Sul após a divulgação dos resultados, acumulando alta de aproximadamente 90% no ano, segundo a CNBC. O avanço ocorre em meio à expansão da atuação da companhia em memória de alta largura de banda (HBM, na sigla em inglês), tecnologia considerada essencial para chips utilizados em data centers de IA.

A demanda por esse tipo de memória tem sido impulsionada por fabricantes, como a Nvidia, considerada a empresa mais valiosa do mundo, em um cenário de oferta limitada. Com a priorização da produção voltada a aplicações de IA, que possuem margens mais elevadas, a oferta restrita tem pressionado os preços também no segmento de eletrônicos de consumo.

Chips de memória
Avanço ocorre em meio à expansão da atuação da companhia em memória de alta largura de banda (HBM), tecnologia considerada essencial para chips utilizados em data centers de IA – Imagem: Divulgação/Samsung

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Concorrência

Apesar do avanço, a Samsung enfrenta forte concorrência no mercado de HBM, especialmente da rival SK Hynix, que assumiu a liderança nesse segmento.

A empresa sul-coreana tem buscado reduzir essa diferença. Em fevereiro, anunciou o início das entregas de seus primeiros chips HBM4 para clientes não identificados, quase um ano após a SK Hynix começar a fornecer amostras da mesma tecnologia.

O HBM4 representa a sexta geração dessa categoria de memória e é considerado o padrão mais avançado atualmente. A expectativa é que ele seja utilizado como principal chip de memória em IA na próxima geração de arquitetura Vera Rubin, da Nvidia, voltada a aplicações de alto desempenho em data centers.

Segundo Ray Wang, analista da SemiAnalysis responsável pela cobertura de memória a partir de Seul, “A Samsung fez melhorias no HBM4 e a diferença em relação à SK Hynix é menor em comparação com as gerações anteriores de HBM”, disse à CNBC. “No entanto, continuamos a ver a SK Hynix liderando a corrida do HBM em relação aos seus concorrentes”, acrescentou.

Dados da Counterpoint Research indicam que a SK Hynix manteve a liderança no mercado de HBM, com 57% de participação em receita no último trimestre do ano passado.

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