A Índia recebe desde segunda-feira (16) a Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial​ 2026. O evento continua até sexta-feira (20), em Nova Déli, marcando a primeira cúpula internacional de IA no Sul Global.

O encontro reúne presidentes, primeiros-ministros, executivos de tecnologia, pesquisadores e líderes da sociedade civil para cinco dias de debates sobre o futuro dessa tecnologia – incluindo segurança, governança e colaboração global em IA.

O discurso de Lula

O presidente Lula discursou na Cúpula nesta quinta-feira (19). Segundo ele, existem dois lados da tecnologia: “toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas” – destacou o presidente.

Outros pontos do discurso:

  • Lula comparou a IA a outras grandes revoluções da tecnologia, como a aviação, a engenharia genética e a corrida espacial. Ele pontou que os avanços sempre podem trazer benefícios coletivos e, ao mesmo tempo, representar ameaças.
  • No caso das IAs e da revolução digital, o presidente brasileiro disse enxergar algumas dualidades. Essas tecnologias, segundo ele, são positivas para a produtividade das indústrias, serviços públicos, medicina, segurança alimentar e produção energética. Por outro lado, podem alimentar práticas “extremamente nefastas” – nas palavras de Lula. O presidente citou armas autônomas, discurso de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas e precarização do trabalho.
  • Ainda segundo Lula, “conteúdos falsos manipulados por IA distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia”.

Regulamentação das big techs

O presidente também defendeu a regulamentação das big techs: “Capacidades computacionais, infraestrutura e capital permanecem excessivamente concentrados em poucos países e empresas. Os dados gerados por nossos cidadãos, empresas e organismos públicos estão sendo apropriados por poucos conglomerados, sem contrapartida equivalente em geração de valor e renda em nossos territórios. Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação”.

“A regulamentação das chamadas big techs está ligada ao imperativo de salvaguardar os direitos humanos na esfera digital, promover a integridade da informação e proteger as indústrias criativas de nossos países” – completou o presidente.

Lula ainda questionou o modelo de negócio dessas companhias:

“O modelo atual de negócio dessas empresas depende da exploração de dados pessoais, da renúncia ao direito à privacidade e da monetização de conteúdos chamativos que amplificam a radicalização política.”

Lula se encontra com CEO do Google

  • Ainda nesta quinta-feira, Lula se reuniu com Sundar Pichai, CEO do Google.
  • De acordo com Lula, o executivo destacou a importância do Brasil para a empresa e os investimentos feitos no país.
  • Sundar Pichai citou a inauguração do Centro de Engenharia em São Paulo e parcerias com o setor público.
  • Do lado do governo, Lula trouxe a perspectiva do Planalto para a área de inteligência artificial e projetos para atrair investimentos no setor de data centers.
  • Outro assunto na pauta foi a preocupação com os riscos associados às IAs.
  • Lula afirmou que Sundar Pichai demonstrou compromisso em ampliar a parceria com o Brasil e desenvolver mais ações conjuntas com o setor privado.

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